Planárias São vermes Platyhelminthes da classe Turbellaria, existem em ambientes terrestres e aquáticos marinhos ou dulcícolas. A maioria das espécies atingem poucos milímetros ou centímetros enquanto outras podem chegar a 60cm. Reproduzem-se por bipartição ou fecundação cruzada, são hermafroditas e os ovos são resistentes a frio, calor e seca. O hábito alimentar de grande parte das espécies é carnívoro ou necrófago. Os “olhinhos” são chamados e ocelos e tem percepção de luz, sendo muito mais rudimentares que olhos. Embora não sejam nem um pouco bem vindas em nossos aquários, são usadas em muitos estudos científicos por causa da sua incrível capacidade de regeneração. Justamente por causa dessa capacidade regenerativa nunca, mas jamais mesmo, corte ou esmague uma planária achando que vai se livrar dela. Elas tem uma capacidade incrível de formar outra planária a partir de um corte, o que era um problema vai virar vários. Uma pesquisa de Tim Henshaw do Bolton Museum (Lancashire, U.K.) indica que planárias produzem uma toxina especialmente tóxica para camarões. Elas também podem entrar nas guelras de peixes, causando irritação. Uma planária sozinha não consegue capturar um camarão adulto saudável, mas em grande número podem adquirir uma espécie de estratégia de grupo, juntando-se em um “novelo” e atacando juntas para acumular uma grande quantidade de muco e aumentar as chances de sucesso. Nem todas as espécies de planárias dulcícolas são nocivas a camarões, peixes e caramujos, mas fique de olho nesta, as grandes planárias da Ordem Tricladida, como os do gênero Dugesia. Outro gênero bastante mencionado é o Girardia, mas a maioria dos autores o considera um sub-gênero doDugesia.   Métodos de Combate Aviso – Todos os métodos descritos aqui são uma compilação de experimentos de vários aquaristas. Como todo tratamento experimental, faça por sua própria conta. pH Planárias não toleram pH abaixo de 4.0, limpar equipamentos e vidros com uma solução ácida matará os adultos. Ovos são resistentes a este método. Calor  Planárias são especialmente sensíveis a altas temperaturas, tirar a fauna e elevar a temperatura do aquário por 35º durante 24 horas pode resolver o problema. Para filtros e demais equipamentos colocar em água quente (quando possível) e esfregar bem com escovas. Os ovos são resistentes a água morna, sempre que possível usar água fervente em equipamentos. Químicos Vermífugos veterinários e para uso humano se mostraram eficientes em eliminar planárias sem afetar os outros animais do aquário, mas todo tratamento deve ser feito com cuidado pois as doses são muito pequenas e qualquer erro pode levar a um desastre. É importante ressaltar que no caso de apresentações em comprimido em que a dose precise ser fracionada é mais seguro esmagá-lo e dissolvê-lo para depois fracionar. Pois o princípio ativo pode não estar distribuído e corre-se o risco de usar uma fração sem princípio ativo nenhum. Em todos os tratamentos convém dosar novamente depois de alguns dias, pois os ovos são resistentes. O vermífugo mebendazol para uso humano em comprimidos de 100mg foi usado com sucesso, sendo que a dose efetiva foi de 1 mg por litro, repetida a cada 12 horas por 3 dias. Esta concentração não afetou os camarões. O princípio ativo flubendazol mostrou ser eficiente, segundo uma de minhas fontes, a apresentação adequada a ser usada em aquários é em pó, aplica-se 0.2 grama por 100 litros de água. Outro remédio utilizável é o fenbendazole, de nome comercial Panacur ®, vermífugo para cães. Segundo a experiência descrita em uma das minhas fontes, uma dosagem de 0,6ppm é eficiente contra hidras e planárias, sem afetar outros animais ou o filtro biológico. Para atingir essa dosagem usa-se aproximadamente 0.1 grama para 40 litros. O efeito é rápido, bastando uma aplicação para matar os adultos. Predadores Poucos peixes vão comer as planárias, seu muco tóxico não as torna muito atrativas. Os que irão comê-las, comerão também os filhotes de camarão. Convém deixar os peixes sem ração para incentivá-los a caçar. Os animais que se alimentam de planárias são: Pomacea sp. (Ampulárias) – opção mais segura com camarões Trichopsis pumila Macropodus sp. (Peixe paraíso) Betta sp. Pelvicachromis sp. (Kribensis) Farlowella sp. (Peixe-galho) Rineloricaria sp.   Remoção manual com armadilha Planárias são facilmente atraídas com alimento, por isso pode-se construir uma pequena armadilha para capturá-las. A idéia é pegar um pote com tampa. Fazer um furo e colocar uma espécie de funil, para que seja fácil entrar mas não seja fácil sair. Colocar algum alimento atrativo dentro, como ração, pedaço de carne. Deixar a armadilha no aquário com a luz apagada (planárias são noturnas) por no máximo uma hora para evitar decomposição. A armadilha está explicada neste site, junto com outros métodos que usei para complementar o artigo, mas está em alemão. As fotos ajudam muito: http://www.wirbellose.de/planarien/   Método Drástico Quando nenhum método funciona, o jeito é usar uma combinação de todos, desmontando o aquário. Ferver e tratar o substrato, decorações, pedras, equipamentos, vidros. Escovando tudo muito bem para que não sobre nenhum ovo. Como regra para todas as pragas e moléstias, o melhor remédio é a prevenção, esterilizar plantas, equipamentos e decorações antes de introduzi-las no aquário. Espero que o artigo tenha sido útil, mantenham as planárias longe do seus camarões!